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COLUNISTA: Professor Marcelo Johner Dummel - Inclusão x Realidade - Crissiumal - RS

28/10/2013 19:15

A expressão Inclusão social é um conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pela diferença de classe social, origem geográfica, educa ção, idade, existência de deficiência ou preconceitos raciais. Inclusão Social é oferecer aos mais necessitados oportunidades de acesso a bens e serviços, dentro de um sistema que beneficie a todos e não apenas aos mais favorecidos no sistema meritocrático em que vivemos. Nossa cultura tem uma experiência ainda pequena em relação à inclusão social, com pessoas que ainda criticam a igualdade de direitos e não querem cooperar com aqueles que fogem dos padrões de normalidade estabelecidos por um grupo que é a maioria. E diante dos olhos deles, também somos diferentes. E é bom lembrar que as diferenças se fazem iguais quando colocadas num grupo que as aceitem e as consideram, pois nos acrescentam valores morais e de respeito ao próximo, com todos tendo os mesmos direitos e recebendo as mesmas oportunidades diante da vida. (Revista do Professor, 2007)

Há alguns anos tenho atuado como professor no Instituto Estadual de Educação Maria Cristina – CIEP no município de Humaitá, e neste ano me deparei como uma situação a qual não estava acostumado. Na turma 81, ou seja, uma das oitavas séries da referida escola conheci um aluno muito especial, o qual é chamado de Maikel.

Maikel Rudiéri Schmitz nasceu prematuro de 7 meses e uma semana, teve problemas de oxigenação do cérebro, a partir do 4º dia começou a dar Icterícia (amarelão), teve que fazer fototerapia e no 9º dia ele teve uma parada respiratória. Ficou no oxigênio durante 18 dias e depois de somente 1 mês deu alta do hospital.

Maikel é um guerreiro e tem um apoio fundamental que são seus pais. Recolhi vários depoimentos de pessoas próximas a Maikel que disseram que seu Pai, Hélio Nicolau Schmitz e sua mãe Macali Inês Schmitz fazem de tudo para Maikel ter uma “vida normal”. Em relação ao pai, algumas falas foram emocionantes sobre o trabalho feito pelo mesmo, o carinho, a dedicação e o amor. Em relação ao trabalho da mãe posso dar maiores detalhes, pois tornou-se minha aluna: esta matriculou-se novamente na mesma série de seu filho, trabalha como todos os alunos, mesmo sabendo da grande diferença relacionado ao tempo que estudava enquanto jovem com os dias atuais. Leva Maikel para todos os lugares, tenta fazer com que Maikel dentro de sua realidade possa se sentir especial, como de fato é.

Fiquei comovido com toda aquela situação, mas sinceramente, é difícil para mim trabalhar com Maikel. Acho que não sou capaz de dar o que ele precisa de fato. Não estou apto a fazer o que deveria talvez ser feito, mas tenho algo especial para com Maikel, aprendi a gostar muito dele, aprendi a brincar com ele, aprendi que somos capazes de amar alguém que pouco conhecemos,  e ainda, dentro de minhas limitações tento fazer da melhor forma o que acho “correto” para ajuda-lo.

O IEE Maria Cristina tem uma excelente estrutura, uma das melhores de nossa região, faz de tudo para que Maikel se sinta bem. Maikel possui um computador onde realiza todas as suas tarefas, também tem alguém muito especial que está ao seu lado que é a Agente Educacional II – Interação com o Educando, Marciane Schuster, a qual tem o trabalho de monitorar e auxiliar ele em suas tarefas diárias, escreve, questiona, ou seja, faz a interação de Maikel com as atividades propostas.

Bom, nossa escola tenta fazer de tudo para que esta dita Inclusão aconteça totalmente, mas para terminar este texto, quero voltar ao que disse anteriormente: acho que falta muito em mim para trabalhar com Maikel, não tenho a formação adequada para trabalhar com ele, mas tenho tentado e me dedicado a fazer o que posso, assim como todos os professores de nossa escola. Sem respostas farei aqui algumas indagações, para que possamos refletir sobre o processo em que estamos inseridos:

·   É justo que alguém que não tenha a formação necessária trabalhe com uma pessoa que precise de atendimento especial?

·     Nossas Escolas estão preparadas para receber alunos com necessidades específicas?

·        É justo despender um bom tempo com alguém que precisa de atendimento especial, e talvez não atender os demais de uma forma justa?

·  Temos recursos humanos suficientes para atender estas pessoas?

·         As APAES devem fechar?

·         O Governo está realmente preocupado com isto?

·         O amor basta?

Nesta eu posso ajudar... o amor não basta mas ajuda muito!!!

Fonte: PROFESSOR MARCELO JOHNER DUMMEL

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